Dr. Rafael Fernandes da Silva

Avaliação de Risco · GRO

Qual risco tratar primeiro? Severidade × probabilidade (o fim do “achômetro”)

Depois de identificar os perigos, vem a pergunta que todo gestor faz: por onde eu começo? A NR-1 responde com um método — avaliar o risco combinando duas coisas: o quão grave pode ser o dano e a chance de ele acontecer. Acabou a era do “achismo”.

Risco = severidade × probabilidade

Figura 24 do Manual da NR-1 — o nível de cada risco nasce da combinação entre severidade e probabilidade.
Figura 24 do Manual da NR-1 — o nível de cada risco nasce da combinação entre severidade e probabilidade.

Avaliar risco é um processo contínuo para determinar o nível de cada risco. E esse nível nasce da combinação de dois ingredientes (veja a figura ao lado):

  • Severidade — o tamanho do dano possível. Aqui vale a regra de ouro: avalie sempre pelo pior cenário possível, não pelo mais comum. Se uma máquina sem proteção pode cortar ou amputar, avalie pela amputação.
  • Probabilidade — a chance de o dano ocorrer, que depende do tempo de exposição, da frequência e da intensidade (quanto mais exposição, maior a chance).

Cruzando os dois, cada risco recebe um nível (A, B, C, D…). Isso permite priorizar: tratar primeiro o que é mais grave e mais provável.

O fim das avaliações “no achômetro”

Esse é um dos maiores avanços da NR-1. Antes, muita avaliação de risco era informal, sem critério. Agora é obrigatório ter metodologia estruturada, critérios documentados e processo sistemático. A empresa escolhe a ferramenta (a norma não impõe uma), mas precisa registrar os critérios que usou — para que gestores, CIPA, SESMT e a fiscalização entendam por que cada risco foi classificado daquele jeito.

Avaliar não é burocracia — é prevenir

O Manual faz um alerta importante: a avaliação de risco não é um fim em si mesma. É um meio para prevenir acidentes e doenças. Se o processo virar só papelada para “cumprir tabela”, perde a razão de existir. O propósito é sempre agir antes do dano.

Vale também para o burnout

A mesma lógica se aplica aos riscos psicossociais. Uma meta agressiva somada a jornada longa e falta de apoio tem severidade alta (pode levar a adoecimento, afastamento, burnout) e, se a exposição é diária, probabilidade alta — portanto, risco a priorizar. Quando a empresa não avalia e documenta isso, fica vulnerável na Justiça:

Decisão real — Burnout e nexo com a organização do trabalho
PERDEU · empresa condenadaEmpresa cujo trabalhador desenvolveu esgotamento (burnout) em meio a metas agressivas, jornada extensa e cobrança excessiva, sem qualquer avaliação ou medida sobre esses fatores. Reconhecido o nexo entre o adoecimento e a organização do trabalho. (TRT-2) → condenação por danos morais.
GANHOU · empresa absolvidaEmpresa que avaliou os fatores psicossociais, documentou os critérios e adotou medidas (ajuste de metas, pausas, canal de escuta). A prova de gestão ativa do risco afastou o nexo com a doença. (TRT-15) → improcedência.
O que separou: ter avaliado e documentado o risco psicossocial — e agido sobre ele — é o que distingue a empresa que se protege da que é condenada.

Você sabe quais são os riscos prioritários da sua empresa?

O Diagnóstico de Compliance Trabalhista avalia e prioriza os riscos do seu negócio — inclusive os psicossociais, como metas e sobrecarga — e mostra, em minutos, o que tratar primeiro antes de virar afastamento, multa ou processo.

Fazer o diagnóstico
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